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O álbum Ustvolskaya: Symphony No. 5 – Poulenc: La voix humaine é um lançamento de música clássica do dia 10 de julho de 2026, gravado ao vivo pela The Cleveland Orchestra sob a regência do maestro Franz Welser-Möst.
A gravação foi realizada originalmente durante uma série de concertos em maio de 2025 e junta duas obras profundamente introspectivas e dramáticas do século XX:
Estrutura do Álbum
Galina Ustvolskaya: Sinfonia N.º 5 "Amen"
Narrador: Tony F. Sias.
Instrumentação: Uma combinação invulgar e austera que inclui violino, oboé, trompete, tuba e percussão de madeira, acompanhando a declamação do narrador.
Francis Poulenc: La voix humaine (A Voz Humana), FP 171
Soprano: Sarah Aristidou.
Formato: Uma ópera-monodrama (ou mono-ópera) baseada na peça homónima de Jean Cocteau, que retrata a última e angustiante conversa telefónica de uma mulher com o seu antigo amante.
Onde Ouvir
O álbum completo tem uma duração aproximada de 52 minutos e está disponível nas principais plataformas digitais:
Disponível para streaming no Spotify
Disponível no catálogo da Apple Music
Disponível para compra digital com alta qualidade de áudio (Hi-Res) na plataforma Qobuz.
Galina Ivanovna Ustvolskaya (1919–2006) foi uma das mais radicais e singulares compositoras russas do século XX. Nascida e falecida em São Petersburgo, ela desenvolveu um estilo musical austero, independente e de imensa força percussiva. Ficou conhecida no meio musical como "a mulher com o martelo", devido ao peso, repetição obstinada e intensidade física exigida na execução de suas obras.
Relação com Shostakovich
Ustvolskaya estudou no Conservatório de Leningrado e foi a única mulher na classe de composição de Dmitri Shostakovich, de quem se tornou a aluna predileta. A relação entre ambos era complexa e profunda: Shostakovich admirava profundamente a sua visão artística, chegando a afirmar que não tinha sido ele a influenciá-la, mas sim ela a influenciá-lo. O mestre soviético chegou a defendê-la publicamente contra a União dos Compositores Soviéticos e citou temas de Ustvolskaya em algumas das suas próprias obras. Apesar dessa proximidade, Ustvolskaya rejeitou mais tarde qualquer associação estética com ele, lutando ferrenhamente para salvaguardar a total independência da sua música.
Características do Estilo Musical
A sua música não se assemelha a nenhum movimento de vanguarda tradicional da sua época, caracterizando-se por:
Dinâmicas extremas: Alternâncias abruptas entre o silêncio absoluto e blocos sonoros em volumes ensurdecedores (fff).
Ritmo implacável: Uso de polifonia assimétrica e, frequentemente, partituras escritas sem barras de compasso.
Instrumentação invulgar: Escolha de combinações instrumentais bizarras (como pianos tocados com blocos de madeira ou agrupamentos densos de instrumentos de sopro e percussão).
Espiritualidade e Ascetismo: Obras com um profundo sentido religioso e existencialista, focando-se em textos cristãos concisos.
Catálogo de Obras Selecionadas
Ao longo da vida, Ustvolskaya destruiu muitas das suas composições antigas. O seu catálogo oficial, preservado em grande parte na Fundação Paul Sacher, é bastante reduzido mas de enorme impacto:
6 Sonatas para Piano (1947–1988): Peças fundamentais que demonstram a evolução do seu estilo percussivo e implacável.
5 Sinfonias (1955–1989): Obras concentradas que quebram o molde da sinfonia tradicional, incluindo vozes e instrumentações raras.
Composições Nº 1, 2 e 3 (1971–1975): Subtituladas com preces em latim, como "Dona Nobis Pacem" e "Dies Irae".
Grande Duo para Violoncelo e Piano (1959): Uma das suas peças de câmara mais executadas a nível internacional.





