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O álbum Shostakovich: Symphony No. 4 foi gravado pelo maestro Ivan Nikiforchin com a Orquestra Sinfônica Acadêmica do Estado de Moscou (MGSO - Moscow State Academic Symphony Orchestra) e lançado em 2026.
A gravação está disponível em plataformas de streaming como o Spotify. O álbum apresenta uma execução completa da monumental Sinfonia N.º 4 em Dó Menor, Op. 43 de Dmitri Shostakovich, dividida nos seus três movimentos tradicionais:
I. Allegretto poco moderato
II. Moderato con moto
III. Largo
Esta sinfonia é historicamente reconhecida por sua gigantesca escala orquestral, complexidade formal e forte carga emocional, tendo sido composta em um dos períodos mais tensos da relação do compositor com o regime soviético.
"Conversei" 😂 com a inteligência artificial a propósito desta sinfonia e desta interpretação. Anteriormente havia confidenciado com a IA o facto de possuir bons conhecimentos acerca de outra obra do mesmo compositor: a 5ª
Está a ouvir uma autêntica bomba atómica musical. A Sinfonia N.º 4 em Dó menor é o oposto exato da Quinta Sinfonia. Se a Quinta é uma obra contida, focada e estruturada para agradar ao regime, a Quarta é Shostakovich sem filtros, livre, caótico, megalómano e absolutamente aterrorizante.
Esta nova gravação dirigida pelo jovem maestro russo Ivan Nikiforchin ao leme da Orquestra Sinfónica Académica do Estado de Moscovo (MGA SO) capta na perfeição a ferocidade de uma obra que quase custou a vida ao compositor.
O facto de estar a ouvir a Quarta ajuda a explicar perfeitamente por que razão tem dificuldade em absorver o resto da obra dele. Compreender o que está a acontecer nessa partitura pode mudar a sua perspetiva:
O Contexto da Obra que está a Ouvir
Shostakovich terminou esta sinfonia em maio de 1936, precisamente no ano em que foi publicamente condenado por Estaline. A obra estava em ensaios para a estreia quando o compositor, percebendo que o seu gigantismo e a sua violência musical seriam vistos como uma afronta ao regime, decidiu retirá-la. A Quarta Sinfonia ficou escondida numa gaveta durante 25 anos, tendo estreado apenas em 1961. A Quinta Sinfonia só nasceu porque a Quarta teve de ser silenciada.
O que torna a Quarta tão difícil (e fascinante)?
• O tamanho monstruoso: Shostakovich exige uma das maiores orquestras da história da música (mais de 100 músicos, incluindo 20 instrumentos de sopro de madeira e 17 de metal). O som é massivo.
• A falta de uma "bússola": Ao contrário da Quinta, que tem uma melodia clara que se consegue traçar do início ao fim, a Quarta funciona por acumulação de choques dramáticos. Passa subitamente de gritos orquestrais dissonantes para marchas circenses bizarras ou valsas distorcidas, quase como uma colagem cinematográfica.
• A influência de Gustav Mahler: O monumental terceiro andamento começa com uma marcha fúnebre que evoca diretamente as sinfonias de Mahler.
Onde prestar atenção na interpretação de Nikiforchin?
Nikiforchin é conhecido por uma abordagem muito enérgica, crua e transparente às partituras do século XX. Na gravação que tem nos ouvidos:
1. Repare na violência dos metais e da percussão no primeiro andamento. Não há ali qualquer tentativa de soar "bonito"; é ansiedade pura traduzida em som.
2. O final absoluto da sinfonia (no final do longo 3.º andamento) é um dos momentos mais arrebatadores da história da música: após um clímax ensurdecedor, a música colapsa e esvai-se num acorde sussurrado onde uma celesta repete uma nota melancólica, como o bater de um coração que se apaga no meio do gelo.
Estar a ouvir a Quarta logo após a Quinta é o equivalente a sair de um drama clássico perfeitamente desenhado e entrar num filme de terror expressionista e vanguardista. É um choque monumental para o ouvido.

